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Pediatria

A importância da abordagem multidisciplinar na saúde infantil

Equipa de saúde multidisciplinar em torno de uma criança: pediatra, osteopata, fisioterapeuta e terapeuta da fala.

A saúde de um bebé ou de uma criança envolve diferentes dimensões do desenvolvimento e nem sempre uma única área profissional consegue responder a todas as necessidades.

Dependendo da situação, o acompanhamento pode envolver o pediatra e outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, nutricionistas ou outros especialistas.

Uma abordagem multidisciplinar permite juntar diferentes competências e colocar as necessidades da criança no centro das decisões. O objetivo não é ter vários profissionais envolvidos sem necessidade, mas sim garantir que cada situação é avaliada pela área profissional adequada.

Porque é importante trabalhar em equipa?

Bebés e crianças estão em constante desenvolvimento e determinadas situações podem envolver várias áreas simultaneamente. Por exemplo, uma criança pode apresentar questões relacionadas com:

  • desenvolvimento motor;
  • mobilidade;
  • alimentação;
  • sucção;
  • mastigação;
  • deglutição;
  • comunicação;
  • linguagem;
  • comportamento;
  • crescimento;
  • desenvolvimento global.

Nenhuma destas áreas deve ser automaticamente atribuída à osteopatia. Diferentes profissionais possuem formação específica para avaliar diferentes componentes da saúde infantil.

Trabalhar em equipa permite que cada profissional contribua dentro da sua área de competência.

O papel do pediatra

O pediatra tem um papel fundamental na avaliação global da saúde da criança. Pode acompanhar:

  • crescimento;
  • desenvolvimento;
  • vacinação;
  • alimentação;
  • doenças agudas e crónicas;
  • desenvolvimento neurológico;
  • sinais de alerta;
  • necessidade de exames ou referenciação para outras especialidades.

A osteopatia não substitui o acompanhamento pediátrico.

Onde pode entrar a osteopatia?

A osteopatia pode, em situações selecionadas, integrar uma abordagem multidisciplinar quando existe uma questão dentro do seu âmbito de intervenção.

A avaliação osteopática pode observar aspetos relacionados com:

  • mobilidade;
  • movimento;
  • assimetrias;
  • função musculoesquelética;
  • características posturais.

Não se afirma que a osteopatia diagnostica doenças pediátricas, que trata doenças sistémicas, neurológicas, digestivas, respiratórias ou do desenvolvimento, ou que corrige problemas médicos.

A importância da fisioterapia

O fisioterapeuta pode ter um papel importante em situações relacionadas com movimento, função motora, força, mobilidade, controlo postural, desenvolvimento motor e reabilitação.

Em situações musculoesqueléticas ou alterações motoras em que a fisioterapia tenha indicação específica, este profissional pode ser uma componente essencial do acompanhamento da criança.

Dependendo da situação, a fisioterapia pode ser uma componente essencial do acompanhamento da criança.

O papel do terapeuta da fala

O terapeuta da fala não trabalha apenas a fala. Na população pediátrica, pode ter competências específicas relacionadas com comunicação, linguagem, fala, alimentação, mastigação, deglutição, sucção e competências oromotoras.

Dificuldades de alimentação e deglutição podem ser complexas e podem necessitar de uma equipa multidisciplinar. Quando existem dificuldades relacionadas com alimentação, sucção ou deglutição, o terapeuta da fala pode ser um profissional importante na avaliação e intervenção.

A American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) considera o terapeuta da fala um elemento integrante das equipas interprofissionais de alimentação e deglutição pediátricas.

A osteopatia não substitui a avaliação nem a intervenção do terapeuta da fala em questões de alimentação, sucção ou deglutição.

Outros profissionais que podem fazer parte da equipa

Dependendo das necessidades da criança, podem participar o pediatra, o médico de família, o fisioterapeuta, o terapeuta da fala, o terapeuta ocupacional, o nutricionista, o enfermeiro, o psicólogo ou outros médicos especialistas quando necessário.

Esta lista não é apresentada como obrigatória. A equipa deve ser definida de acordo com as necessidades específicas de cada criança.

Um exemplo: quando diferentes áreas podem complementar-se

Imagine uma criança que apresenta uma preferência persistente por determinada posição, alguma dificuldade de movimento e, simultaneamente, dificuldades durante a alimentação.

Neste contexto, diferentes profissionais podem contribuir de formas diferentes:

  • o pediatra poderá avaliar a saúde global e determinar se existe alguma situação médica que necessite de investigação;
  • o fisioterapeuta poderá avaliar o movimento e as competências motoras;
  • o terapeuta da fala poderá avaliar a alimentação, sucção, mastigação ou deglutição, quando estas questões estiverem presentes;
  • se considerado adequado, o osteopata poderá contribuir dentro do seu âmbito profissional, nomeadamente através da avaliação e abordagem manual das componentes musculoesqueléticas.

O objetivo não é escolher um profissional em detrimento dos outros, mas garantir que cada necessidade é avaliada pela área de competência adequada. Este exemplo não deve ser usado para afirmar eficácia da osteopatia.

O que diz a evidência sobre a osteopatia pediátrica?

A investigação sobre osteopatia pediátrica ainda apresenta limitações importantes.

A revisão sistemática de Franke, Franke e Fryer (2022) analisou 47 ensaios clínicos envolvendo 37 condições pediátricas. Alguns estudos apresentaram resultados favoráveis, mas não existia evidência de alta qualidade suficiente para estabelecer eficácia para uma condição pediátrica específica.

A atualização de revisão sistemática e meta-análise de Posadzki et al. (2022) concluiu que a qualidade global da evidência permanecia baixa ou muito baixa e que a eficácia do tratamento manipulativo osteopático em populações pediátricas permanecia não comprovada.

Reconhecer estes limites reforça a transparência e evita apresentar a osteopatia como uma intervenção comprovada para múltiplas condições pediátricas.

Reconhecer os limites também faz parte de uma boa prática

Uma prática responsável em saúde não consiste em tentar responder a todas as situações. Consiste também em reconhecer quando outra área profissional deve intervir.

Encaminhar uma criança para outro profissional não significa que a intervenção inicial tenha falhado. Significa reconhecer que diferentes profissionais possuem competências diferentes.

Quando pode ser necessário encaminhar?

Durante uma avaliação podem surgir sinais ou questões que justifiquem acompanhamento médico ou por outro profissional. Exemplos:

  • alterações importantes do desenvolvimento;
  • perda de competências previamente adquiridas;
  • alterações neurológicas;
  • dificuldade significativa na alimentação;
  • dificuldade de deglutição;
  • problemas respiratórios;
  • traumatismo;
  • dor inexplicada ou intensa;
  • febre ou doença aguda;
  • alterações importantes do estado geral;
  • qualquer situação que ultrapasse o âmbito da intervenção osteopática.

Este artigo não permite diagnosticar estas situações.

O objetivo é a criança, não a profissão

O mais importante numa equipa multidisciplinar não é saber qual profissional tem maior protagonismo. É garantir que a criança recebe a avaliação e o acompanhamento adequados às suas necessidades.

Cada profissional contribui com conhecimentos diferentes e, quando existe comunicação e articulação entre áreas, é possível construir uma abordagem mais completa e centrada na criança e na família.

Na pediatria, trabalhar em equipa significa reconhecer o que cada profissional pode acrescentar — e também reconhecer os limites da própria área.

Uma abordagem centrada na criança

Na saúde infantil, uma abordagem responsável deve colocar a criança e a família no centro. O pediatra assume um papel fundamental no acompanhamento global da criança e, dependendo das necessidades identificadas, outros profissionais podem contribuir para diferentes áreas do desenvolvimento e da função.

A osteopatia pode, quando apropriado, integrar esta equipa dentro do seu âmbito profissional, sempre reconhecendo os limites da evidência científica e articulando com outros profissionais quando necessário.

Mais do que trabalhar de forma isolada, o objetivo deve ser contribuir para um acompanhamento seguro, individualizado e baseado no melhor conhecimento disponível.

Quer esclarecer uma situação?

Se tem dúvidas sobre uma situação relacionada com o movimento, mobilidade ou desenvolvimento do seu bebé ou criança, pode enviar um pedido de contacto. Quando necessário, será recomendada a articulação com o profissional de saúde mais adequado.

Fontes científicas

  1. Franke, H., Franke, J.-D., & Fryer, G. (2022). Effectiveness of osteopathic manipulative treatment for pediatric conditions: A systematic review. Journal of Bodywork and Movement Therapies, 31, 113–133. https://doi.org/10.1016/j.jbmt.2022.03.013
  2. Posadzki, P., Kyaw, B. M., Dziedzic, A., & Ernst, E. (2022). Osteopathic Manipulative Treatment for Pediatric Conditions: An Update of Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Medicine, 11(15), 4455. https://doi.org/10.3390/jcm11154455
  3. Posadzki, P., Lee, M. S., & Ernst, E. (2013). Osteopathic manipulative treatment for pediatric conditions: A systematic review. Pediatrics, 132(1), 140–152. https://doi.org/10.1542/peds.2012-3959
  4. Gosa, M. M., Dodrill, P., Lefton-Greif, M. A., & Silverman, A. (2020). A Multidisciplinary Approach to Pediatric Feeding Disorders: Roles of the Speech-Language Pathologist and Behavioral Psychologist. American Journal of Speech-Language Pathology, 29(2S), 956–966. https://doi.org/10.1044/2020_AJSLP-19-00069

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